22 de janeiro de 2011

Nem francês e nem inglês!


Não Tem Tradução

O cinema falado
é o grande culpado da transformação
Dessa gente que sente que um barracão
prende mais que o xadrez
Lá no morro,
se eu fizer uma falseta
A Risoleta desiste logo
do francês e do Inglês

A gíria que o nosso morro criou
Bem cedo a cidade aceitou e usou
Mais tarde o malandro deixou de sambar,
dando pinote
Na gafieira dançando um Fox-Trote

Essa gente hoje em dia
que tem a mania da exibição
Não entende que o samba
não tem tradução no idioma francês
Tudo aquilo que o malandro pronuncia
Com voz macia é brasileiro,
já passou de português

Amor lá no morro é amor pra chuchu
As rimas do samba não são
I love you
E esse negócio de alô,
alô boy e alô Johnny
Só pode ser conversa de telefone

Essa canção é de autoria do Noel Rosa, Ismael Silva e Francisco Alves (1933), foi gravada pelo João Nogueira,ainda não descobri em qual ano... rs
João tinha por hábito homenagear seus compositores preferidos, assim fez com Noel (que era amigo de seu pai, músico também) e Cyro Monteiro.
Seu maior parceiro foi Paulo Cesar Pinheiro, entre outros. 

21 de janeiro de 2011

Grande Otelo e a Angela Maria- Rio, Zona Norte- Malvadeza Durão(autoria/...

Opiniao - Zé Keti

ZÉ KÉTI - ACENDER AS VELAS

Zé Keti sings 'Diz que fui por ai'

Zé Keti: Máscara Negra

Zé Keti: A Voz do Morro

Zé Keti - Mascarada

20 de janeiro de 2011

O Pintor


O hobby de Caymmi era pintar...






Este quadro é a capa do disco "Caymmi"de 1972
Vejam outras pinturas...


Zé Keti

José Flores de Jesus, cantor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro (no bairro de Inhaúma), em 16/09/1921, sendo registrado apenas em 06/10/1921.

Neto de um flautista e pianista (João Dionísio Santana), filho de um marinheiro sergipano tocador de cavaquinho (Josué Vale da Cruz), desde cedo se interessou pela música.

Seu pai morreu quando ele ainda era pequeno. Foi então que, junto com a mãe, mudou-se para casa do avô, em Bangu.

Seu avô era muito festeiro e gostava de reunir os amigos músicos, entre eles Pixinguinha e Cândido das Neves (Índio). Sua mãe gostava de dançar e quando não tinha baile em casa ia ao clube de danças das operárias da fábrica de Bangu.

Nesse ambiente musical, Zequinha começa a moldar seu talento, sempre espiando tudo muito quieto. Daí o apelido Zé Quietinho, que virou Zéqueti e mais tarde, com os nomes com K em voga, assumido definitivamente Zé Keti.

Entre 1926 e 1928 com a morte do avô, a família muda-se para Dona Clara (bairro carioca) e em seguida para Bento Ribeiro.

Quando estava no início do ginásio, fugiu da escola e foi tentar a vida, sozinho. Trabalhou em uma fábrica de calçados, em uma pedreira, em uma gráfica e também vendeu laranjas nos campos de futebol.

Começou a compor, sem mostrar suas músicas a ninguém. Só começou mostrar quando tinha 18 anos, nas rodas boêmias do Café Nice, local que começou a freqüentar em 1939, por intermédio compositor Luiz Soberano.

Em 1940 ingressa na Polícia Militar, onde serve até 1943, afastando-se do meio musical. Neste período compõe a sua primeira marcha carnavalesca Se o feio doesse.

Em 1946, "Tio Sam no Samba" foi o primeiro samba de sua autoria gravado (pelo grupo Vocalistas Tropicais). Em 1951, obteve seu primeiro grande sucesso com o samba "Amor passageiro", parceria com Jorge Abdala gravado por Linda Batista na RCA. No mesmo ano, seu samba "Amar é bom", parceria com Jorge Abdala foi gravado na Todamérica pelos Garotos da Lua.

Em 1955, sua carreira começou a deslanchar quando seu samba "A voz do morro", gravada por Jorge Goulart e com arranjo de Radamés Gnattali, fez enorme sucesso na trilha do filme "Rio 40 graus", de Nelson Pereira dos Santos. Neste filme, trabalhou também como segundo assistente de câmera e ator. Outro sucesso nos anos cinquenta, foi "Leviana", que também foi incluído no filme "Rio 40 Graus" (1955), de Nelson Pereira dos Santos, diretor com o qual trabalhou também no filme "Rio Zona Norte" (1957).

No ano de 1962 idealizou o conjunto A Voz do Morro, do qual participou e que ainda contava com Elton Medeiros, Paulinho da Viola, Anescarzinho do Salgueiro, Jair do Cavaquinho, José da Cruz, Oscar Bigode e Nelson Sargento. O grupo lançou três discos.

Em 1964, participou do espetáculo "Opinião", ao lado de João do Vale e Nara Leão, que o levou ao concerto que tornou conhecidas algumas de suas composições, como "Opinião" e "Diz que Fui por Aí" (esta em parceria com Hortênsio Rocha). No ano seguinte, lançou "Acender as velas", considerada uma de suas melhores composições. Esta música inclui-se entre as músicas de protesto da fase posterior a 1964; a letra deste samba possui um impacto forte, criado pelo relato dramático do dia-a-dia da favela. Nara Leão, Elis Regina fizeram um enorme sucesso com a gravação desta música.

Também em 1964, gravou pelo selo Rozemblit um compacto simples que tinha a música "Nega Dina". Nessa mesma época, recebeu o troféu Euterpe como o melhor compositor carioca e, juntamente com Nelson cavaquinho, o troféu O Guarany, como melhor compositor brasileiro. Com Hildebrando Matos, compôs em1967 a marcha-rancho "Máscara Negra", outro grande sucesso, gravada por ele mesmo e também por Dalva de Oliveira, foi a música vencedora do carnaval, tirando o 1º lugar no 1º Concurso de Músicas para o Carnaval, criado naquele ano pelo Conselho Superior de MPB do Museu da Imagem e do Som e fazendo grande sucesso nacional.

Com as mortes de sua ex-esposa, com quem mantinha relações cordiais, e do grande amigo Carlos Cachaça, entra em profunda depressão. Morre vítima de falência múltipla de órgãos, no Hospital da Venerável Ordem Terceira da Penitência, no dia 14 de novembro de 1999.

Cerca de 150 pessoas compareceram ao velório do compositor no cemitério de Inhaúma. Durante o velório, o caixão foi coberto com a bandeira azul e branca de sua escola de samba, a Portela. Foi enterrado ao som de A voz do morro.

Principais sucessos:

  • A voz do morro, Zé Keti (1955)

  • Acender as velas, Zé Keti (1964)

  • Diz que fui por aí, Zé Keti e Hortêncio Rocha (1964)

  • Leviana, Zé Kéti e Amado Regis (1954)

  • Madrugada, Zé Kéti (1967)

  • Malvadeza Durão, Zé Keti (1959)

  • Máscara negra, Zé Keti e Pereira Matos (1966)

  • Mascarada, Zé Keti (1964)

  • Nêga Dina, Zé Keti (1965)

  • O meu pecado, Zé Keti (1965)

  • Opinião, Zé Keti (1964)

18 de janeiro de 2011

Do primero disco


Do disco CHICO BUARQUE DE HOLLANDA, primeiro da sua obra musical, essa canção - TEM MAIS SAMBA, já exalta de alguma maneira seu olhar poético pro cotidiano. Segundo Humberto Werneck, biógrafo de Chico, nessa canção ele privilegia o contato e o concreto, quando canta a aproximação, o encontro e a chegada.
Essa canção, encomendada para uma apresentação, saiu depois de um fiasco (uma outra canção apresentada ao solicitante, o publicitário Luiz Vergueiro, que não a aprovou para a peça Balanço de Orfeu! Isso foi em 1964). Segundo conta o publicitário, Chico chegou, com a primeira canção pronta, mas ela não servia. Ele então saiu furioso e voltou no outro dia, "com os olhos vermelhos pela noite em claro e um tremendo bafo de cana". TEM MAIS SAMBA tava pronta!

Francisco


Vem meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer

 (Sem fantasia)
Chico Buarque
Francisco Buarque de Hollanda, menino nascido no Rio de Janeiro, teve pai historiador e jornalista e mãe pintora e pianista.
Morou em São Paulo, depois em Roma (ambos os lugares em função do trabalho do pai). Retornando ao Brasil, permaneceu bastante tempo em São Paulo.
Sua primeira relação com a mídia, foi por aqui, em Sampa, por conta de ocupar uma referência nas páginas do jornal, por furto. 
Segundo pesquisadores*, Chico possui uma identificação com a marginalidade, com elementos que transgridem o convencional, quando em sua obra aparece a solidariedade com "o elemento marginal, manifestando todo o sentimento do malandro, do pivete, do operário oprimido, do favelado, da prostituta, da lésbica, da mãe ou da mulher do malandro."
* Maria Helena Sansão Fontes - in  Sem fantasia - Masculino e Feminino em Chico Buarque.

 HOMENAGEM AO MALANDRO
(1977-78, da peça: Ópera do Malandro)

"Eu fui fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem, 

que conheço de outros carnavais.
Eu fui à Lapa e perdi a viagem,
que aquela tal malandragem 

não existe mais.
Agora já não é normal, 

o que dá de malandro regular profissional, 
malandro com o aparato de malandro oficial,
malandro candidato a malandro federal,
malandro com retrato na coluna social;
malandro com contrato, com gravata e capital, 

que nunca se dá mal.
Mas o malandro para valer, 

não espalha,
aposentou a navalha, 

tem mulher e filho e tralha e tal.
Dizem as más línguas que ele até trabalha,
Mora lá longe chacoalha, 

no trem da Central"

dá uma olhadinha!
 

Entre vaias e aplausos

Lá vai o malandro
A elegância de Paulinho me lembra muito o personagem do Besourinho do Curta 3D.youtube.com/watch?v=tISQhYD78BM. Sempre alinhado de andar calmo, fala mansa e olhar faceiro ele é o angoleiro do samba.

CURIOSIDADE
Uma vez Paulinho foi questionado: qual sua composição preferida? ele respondeu: Sinal Fechado (achei graça por ser uma das poucas músicas dele que não é um samba)

 
Sinal Fechado (1969) - V Festival da MPB


Com Carmen Miranda, o início do sucesso

Caymmi estava no Rio de Janeiro. Um produtor americano chamado Wallace Downey produzia um filme na cidade, intitulado “Banana da Terra”, de 1939, estrelado por Carmen Miranda. Ela cantaria, entre outras, duas canções de Ary Barroso, “Na Baixa do Sapateiro” e “Boneca de Piche”.

Ary cobrou caro pelo trabalho. Um vizinho que ouvira Caymmi cantar, perguntou se ele não gostaria de gravar uma música para aparecer num filme. Até então Caymmi nunca tinha gravado suas canções. Ele gravou, de forma amadora, e Carmen não aprovou. Tudo só se resolveu, quando finalmente Caymmi foi pessoalmente apresentar a música na casa de Carmen.

“O Que É Que a Baiana Tem?” se tornou o maior sucesso musical do filme. Foi o próprio Caymmi que ensinou à Carmen os “trejeitos” com as mãos e o revirar dos olhos. Por fim, Caymmi gravou, em duo com a cantora, seu primeiro compacto, começando em grande estilo sua carreira de sucesso.

Carmen Miranda


Carmen Miranda, natural de Portugal, veio ainda pequena para o Brasil. Nas viélas do Rio de Janeiro conheceu inúmeros músicos e compositores. Foi uma das poucas artistas brasileiras que conseguiu explorar e re-significar com grande maestria os estereotipos do Brasil. Sua imagem carregava a simpatia, a comicidade, a ginga e a sensualidade brasileira. Carmen tornou-se conhecida internacionalmente, levando suas canções para Hollywood. O interesse do público estrangeiro por sua arte se deve a inteligente capacidade da artista de unir excelência artistica aos elementos da cultura brasileira que atraiam o mercado externo. Ela trazia em suas roupas, em seu gestual e em sua música o exotismo do Brasil. Esta compôs seu figurino com turbantes que, além de serem uma mestiçagem do cocar das índias e dos turbantes das mulheres africanas, eram constituidos por uma composição de elementos da cultura e natureza brasileira como: frutas, tecidos coloridos, penduricalhos e balagandãs.

15 de janeiro de 2011

Caymmi: o mestre da canção


Dorival Caymmi “é um autor inaugural. A música dele, e como ele casa música e letra, com tanta maestria, é sem igual na MPB”. Estas palavras são, de quem conhece bem de canção, nosso querido Chico Buarque. Não tem como questionar. Parecem perfeitas para traduzir “o que este compositor tem”. Aldir Blanc complementa bem: “o Dorival foi quem inventou o gênero ‘samba Caymmi’ [...]. Perguntar se existe este estilo de samba é como duvidar da existência do vatapá”

Caymmi foi um artista intuitivo, conhecedor de suas tradições, que soube observar o dia a dia dos pescadores, os encantos da religiosidade afro-brasileira, a soberania do mar. Assumidamente influenciado pela cultura baiana (como a capoeira angola e os sambas de roda), traduziu através de suas canções a Bahia de sua época, com muita doçura e simplicidade.

Há muitas coisas para se falar deste artista...conhecer Caymmi é como um mergulho no mar. Daqueles que limpa a alma ...

CURIOSIDADE

Em 1937, após uma tentativa frustrada de vender bebidas, Caymmi acabou bebendo todo seu mostruário e compôs a canção “O Mar”, considerada pelo próprio, a mais representativa de sua obra. (OBS. Este é dos nossos, rs)

Paulo César Batista de Faria

Paulinho da Viola nasceu no Rio de Janeiro no bairro de Botafogo dia 12 de Novembro de 1942, e olha aí signo de escorpião como aparenta ser tão calmo? 

CURIOSIDADE
Seu pai é violonista integrante do Grupo de Choro Época de Ouro que não se preocupa com modismos e exigências do mercado, fazem música por prazer.

INFLUÊNCIAS
Ao acompanhar seu pai em seu trabalho conviveu com grandes músicos como Pixinguinha e Jacob do Bandolim.

Paulinho e Bethânia em 1972